Agronegócio teme represália da Europa por queimadas na Amazônia

No primeiro semestre, exportações brasileiras de produtos da agropecuária para a Europa renderam US$ 12 bilhões.

A Europa é um dos principais destinos dos produtos agrícolas brasileiros. Exportadores dizem que não têm interesse no desmatamento e temem reflexos nos negócios.

Quase a metade de tudo o que o Brasil vende para a Europa vem do campo. No primeiro semestre de 2019, as exportações do agronegócio para lá renderam cerca de US$ 12 bilhões. Representantes de governos de países como França, Alemanha e Irlanda manifestaram preocupação com os incêndios na Amazônia.

Irlanda e França ameaçam não assinar o acordo de livre comércio com o Mercosul. A ministra de meio ambiente da Alemanha defendeu mudanças no texto para pressionar o Brasil a dar garantias de proteção da Amazônia.

O economista César de Castro Alves, analista da MB Agro, ver risco de o Brasil ser retaliado.

“O primeiro produto que normalmente sofre são as carnes. A gente exporta bastante carne bovina e de frango para a Europa. Tem os efeitos de curto prazo, que simplesmente é fechar o mercado; os efeitos mais de longo prazo, como, por exemplo, andar para trás o acordo que a gente recém negociou com eles, que tem um prazo para implementação. E que há cláusulas ambientais que eles podem revogar o acordo se a gente não cumprir isso”, explicou.

A Finlândia propôs, nesta sexta-feira (23), que a União Europeia estude a possibilidade de parar de importar carne do Brasil.

Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal defende a correta punição aos responsáveis pelas queimadas, além de ações concretas para evitar a propagação dos focos e os impactos ambientais. A ABPA esclarece, entretanto, que a avicultura e a suinocultura do Brasil estão instaladas fora do bioma amazônico.

Produtores de soja também se manifestaram. No caso do óleo de soja, a Europa é o destino de metade das nossas vendas para o exterior.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), desde 2006 a indústria do setor não comercializa nem financia soja produzida em área de desmatamento.

“Os brasileiros têm uma credibilidade construída ao longo desses mais de dez anos. Então, não acredito que boicotes venham a ocorrer, por conta do fato que nós e os nossos clientes conhecem perfeitamente o que acontece aqui no Brasil.”, afirmou André Nassar, presidente da Abiove.

Mas, em vídeo gravado na França para o Jornal Nacional, o ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi, que é também um dos maiores produtores de soja do mundo, diz que o Brasil pode perder mercado. Segundo o ex-ministro, há o interesse de governos europeus em proteger produtores locais.

“Esse acordo que estamos para assinar com a Europa e Mercosul não é desejado por França e por Irlanda. Exatamente os dois que neste momento puxam a fila de uma ameaça a um boicote comercial, e também de uma ameaça a não conclusão desse mercado, desse acordo. O governo precisa mexer e alterar seu discurso urgentemente. Caso contrário, os prejuízos para o setor da agricultura e da pecuária brasileira, do agro como um todo, que é o grande negócio que o Brasil tem, será extremamente afetado”, disse.

Fonte.: G1 –Jornal Nacional

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