Para setores do agronegócio, discurso de Bolsonaro ‘esclareceu equívocos sobre a Amazônia’ e não deve prejudicar exportações

O presidente Jair Bolsonaro durante discurso na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (24/09/2019). — Foto: Carlo Allegri/Reuters

Já agricultores familiares criticaram fala do presidente sobre desmatamento e demarcação de terras indígenas. Bancada ruralista no Congresso e CNA avaliaram que presidente ‘defendeu a agropecuária’.

Representantes do agronegócio brasileiro avaliaram como positivo o discurso do presidente Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (24).

Em relação à fala de Bolsonaro, que chamou de “falácia” o argumento de que a Amazônia é patrimônio da humanidade e de que não vai aumentar a demarcação de terras indígenas, lideranças do setor não acreditam que, por causa do discurso, compradores internacionais vão interromper a compra de produtos agropecuários brasileiros.

“As questões comerciais [do agronegócio] são mais ligadas à segurança alimentar do que ao viés ideológico. Cabe a nós continuarmos produzindo com transparência e diversificação”, avaliou o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Alceu Moreira (MDB-RS).

“Ele [Bolsonaro] quis botar um ponto final em relação à soberania da Amazônia. Ele manteve seu patamar ideológico e quis falar [também] sobre a questão da liberdade econômica”, completou Moreira, que lidera um dos principais blocos de apoio de Bolsonaro no Congresso Nacional, com 235 deputados e 38 senadores.

Em nota, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) disse que “Bolsonaro esclareceu equívocos sobre a Amazônia e ressaltou o importante papel do Brasil na produção mundial de alimentos”.

“Também afastou a tese de que o governo está colocando o mundo contra o agro brasileiro, defendendo não apenas o setor, mas toda a nação”, acrescentou a CNA.

Já a Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), que representa os agricultores familiares, “lamentou” o discurso do presidente brasileiro.

Para a associação, Bolsonaro erra ao “rejeitar a tese de que a Amazônia é um patrimônio da humanidade e ao negar o aumento de incêndios e desmatamento nos últimos dois meses no Brasil, mesmo com fotos de satélite, inclusive da Nasa, que comprovam”.

“Apesar de afirmar que o seu ‘governo tem compromisso solene com o meio ambiente’, em nenhum momento falou da responsabilidade de pecuaristas, madeireiros, grileiros e garimpeiros nas queimadas”, disse em nota a Contag.

G1 pediu posicionamento para outras entidades do setor, como a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), para a Sociedade Rural Brasileira (SRB) e para a associação que representa as empresas exportadoras de soja (Abiove), que não responderam.

Soja

Para a associação que representa os produtores de soja (Aprosoja), o discurso do presidente da República atendeu aos desejos dos agricultores do produto mais exportado pelo Brasil.

Questionado se as reações internacionais ao discurso de Bolsonaro pudessem prejudicar as exportações do Brasil, o presidente da Aprosoja, Bartolomeu Braz, disse não acreditar nesta possibilidade.

“Não vejo dessa forma [risco de retaliação]. Nossos mercados são firmes, somos os mais sustentáveis do mundo e contra fatos não há argumentos”, acrescentou o presidente da Aprosoja.

Braz disse ainda que o discurso de Bolsonaro “desmentiu informações erradas sobre o país” e que o presidente defendeu o setor.

“Todos são contra o desmatamento ilegal, é mentira que estão acabando com Amazônia, não dá para acreditar nas informações internacionais”, disse Braz.