Arco Norte é estratégico para agronegócio do país

Corredor obrigatório de grãos produzidos em outros estados, voltados para exportação, Ponta Grossa é um gargalo operacional, demandando das construção de um contorno

O Município de Ponta Grossa é uma peça fundamental na rota das exportações de produtos agrícolas do país. Seja para no transporte até o polo moageiro do município, para o beneficiamento de grãos, ou apenas como corredor de carga na viagem até os portos, a cidade serve como ponto de convergência na passagem de caminhões de commodities que vêm de diversos estados e se encontram no entroncamento rodoviário de Ponta Grossa, um dos principais do Sul do País.

Um estudo encomendado pela concessionária Rodonorte aponta que 30% de todos os produtos agrícolas exportados do país saem pelos portos do Paraná ou Santa Catarina, e passam pela área urbana do município de Ponta Grossa, atravessando a Avenida Presidente Kennedy (trecho urbano da BR-376). Tal estudo foi apresentado pelo presidente da Rodonorte, José Alberto Moita, ao ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, em audiência com comitiva de lideranças locais, para mostrar a importância da construção do Arco Norte.

Em 2014, o país exportou 80 milhões de toneladas de milho, soja e feijão. Desse montante, quase 24 milhões de toneladas, foi exportado pelos portos de Paranaguá (responsável por 16,7 milhões de toneladas, ou 21% dos grãos) e São Francisco do Sul. O levantamento mostrou que 64% de toda produção agropecuária do país teve origem no Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, e que os grãos vindos desses outros estados passam por Ponta Grossa, seja pela BR-376 desde a região de Londrina, ou os que vêm pela Transbrasiliana e chegam na BR-376 em Tibagi; e também os que vêm pela PR-151, e encontram a BR-376 em Ponta Grossa, no viaduto Eurico Batista Rosas.

Devido a essa área de convergência, a Rodonorte, dona da concessão da BR-376 na região, estima que, por dia, passa um fluxo de 16 mil caminhões na cidade. Esse montante, em um período de cinco anos (2020), com o início de operação de algumas fábricas, e o aumento da produção de outras, deverá crescer para 22 mil caminhões por dia. A concessionária admite que, após a construção do contorno em Campo Largo, esse trecho de Ponta Grossa é o maior gargalo operacional nos quase 600 quilômetros administrados.

Ou seja: a característica de ser um dos principais entroncamentos do Sul do país, que auxiliou no desenvolvimento da cidade, acaba ‘sufocando’ a evolução. O empresário do setor do transporte, Ademar Correia da Silva Barbosa, fundador e membro do conselho superior do Sindicato das Empresas de Carga de Ponta Grossa (Sindiponta), reconhece que Ponta Grossa é, de fato, um dos principais gargalos nessa rota de transporte. “Com a quantidade de veículos crescendo está sufocando; não está suportando o fluxo de cargas. Não tem estrutura. Se colocar cinco anos na rodovia, imagina a quantidade de carros e caminhões, como vai suportar todo esse tráfego?”, questiona.

execução até 2018
Contorno poderá ser construído em cerca de três anos
O presidente da Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG), Osmar Blum, que participou da reunião com o ministro, em Brasília, reconhece que esses argumentos, dos caminhões de grãos provenientes de outros estados ‘cortarem’ a cidade, sensibilizou o ministro para tentar incluir o projeto no PAC 3. O valor estimado para a obra é de R$ 530 milhões. “É uma obra que não vai beneficiar somente Ponta Grossa, mas todo o estado e o país; vai ser mais seguro para esses caminhões não circularem na cidade, onde tem colégio, crianças andando próximo da rodovia. O ministro sinalizou que é fundamental, mas que teria que ser através de parceria tripartite entre os governos federal estadual e concessória, para sair mais rápido”, disse. Com isso, segundo Blum, a intenção é que a concessionária iniciasse as obras para que fossem concluídas até 2018. “Mas para isso deveria aumentar o prazo da concessão. Haverá uma consulta ao TCU para ver essa possibilidade”, diz. Barbosa não concorda com a extensão de contrato. “O setor de transporte não quer e não aceita essa renovação contrato. Temos deputados estaduais e federais que podem lutar por isso”, relata o transportador.

Fonte.: Jornal da Manhã

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