Desaceleração do agronegócio derruba PIB e dá votos ao impeachment

Crise impacta agronegócio, que deve crescer menos de 1% em 2016.

Desde o início da crise econômica, em 2014, o agronegócio conseguiu se manter e sentiu pouco os efeitos da recessão. O crescimento se manteve dentro da média, na casa dos 3%, evitando um resultado ainda pior do PIB nacional. Agora, a calmaria chegou ao fim e os seguidos meses de inflação alta, desemprego e redução do poder de compra já afetam o setor, que deve crescer menos de 1% em 2016.

“Esse ano nós estamos prevendo que o PIB [agricultura] vai aumentar 0,6%. O PIB aumentar 0,6% fica de uma fragilidade tamanha que qualquer seca, qualquer problema climático, pode fazer com que esse PIB que já está muito frágil possa ser negativo”, disse o o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, João Martins.

Nesta semana, a CNA demonstrou preocupação com a desaceleração do setor e pediu respostas ao governo federal. A Associação Brasileira do Agronegócio também exigiu providências. Para o diretor executivo da entidade, Luis Cornacchioni, com a crise perdem consumidores e produtores rurais.

“Já está afetando tanto em termos de consumo interno, como em termos de linhas de crédito, taxa de juros. A questão do crédito é fundamental. Nós estamos já em abril e não temos nada de plano safra concluído. Se imaginarmos que estamos no momento de fazer as compras de insumos e equipamentos para a safra que começa agora a partir do meio deste ano é uma situação que preocupa e bastante”, contou.

A previsão da Abag de crescimento do agronegócio em 2016 é mais otimista: 2%. As culturas mais afetadas no mercado interno são as hortifrutícolas, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo. O engenheiro agrônomo e coordenador do Cepea, Geraldo Barros, explica que o setor só está se salvando da recessão por causa das exportações.

“Legumes, verduras, tubérculos, batata etc. Esses produtos são tipicamente de mercado interno e sofrem mais, logicamente, com o mercado interno fraco. Então esse pessoal está sendo advertido a olhar bem os custos, tentar cortar custos, adiar investimentos. Já na área de grãos, soja, milho, a perspectiva é boa graças ao panorama das exportações”, alegou.

O dólar em alta favorece as exportações. Por outro lado, o produtor rural acaba tendo mais custos de produção com a compra de insumos, que são majoritariamente importados. Uma balança complexa, que favorece uns e prejudica outros. A saída, na avaliação do coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Rodrigues, passa por responsabilidades que envolvem todas as partes.

“Em relação ao governo, o que nós precisamos fazer é implementar um seguro rural, como existe nos países desenvolvidos, que seja um seguro não apenas com relação às questões climáticas. Crédito rural, seguro rural e preço de garantia são um conjunto de fatores que têm de trabalhar juntos. Além disso, é preciso abrir mercados. E o setor privado, por sua vez, tem o seu papel a fazer. Reduzir custos, usar a melhor tecnologia disponível para ser competitivo e procurar produtividade elevada na menor área possível”, disse.

Os impactos da crise ecônomica no agronegócio serão usados pela bancada ruralista no Congresso como argumento para apoiar o impeachment da presidente Dilma Roussef. O deputado federal Marcos Montes, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, afirma que, dos mais de 200 parlamentares ligados à bancada, ao menos 90 são votos favoráveis à saída da petista.

Fonte.: Talis Maurício – Rádio CBN

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