PIB do agronegócio paulista apresentou recuo em 2017

Todos os segmentos do setor registraram baixa; para a pesquisadora do Cepea, a queda dos preços foi o fator que mais influenciou o resultado

O PIB do agronegócio do Estado de São Paulo apresentou queda de 3,8% em 2017, somando R$ 267,9 bilhões no fechamento do ano. Todos os segmentos analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, com apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), registraram baixa no período.

O índice do Cepea avaliou os preços e o crescimento da produção agropecuária, já descontando a inflação. De acordo com a pesquisa, a retração foi puxada pelas quedas de 4,1% no ramo agrícola e de 2,3% no pecuário. No setor de agronegócio, foram registradas baixas de 4,6% para insumos e de 3,7% para serviços. A agroindústria marcou ainda queda de 3,7%.

Para a pesquisadora do Cepea, Nicole Rennó, o preço pesou no resultado. “O principal fator que pressionou a queda do PIB foi o menor patamar de preços. Todos os segmentos da cadeia tiveram queda dos preços.” Os menores volumes das atividades, somados a isso, justificam o desempenho negativo do PIB do agronegócio.

Produtos analisadosEm nota, o diretor titular do Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro), Roberto Betancourt, explicou que o setor sucroenergético é de grande importância para o resultado final. “Na agroindústria, a maior influência veio do setor sucroenergético, puxada pelo recuo de preços do açúcar a despeito do aumento dos volumes produzidos. A maior oferta, em paralelo à posição retraída dos compradores, significou a desaceleração das cotações no mercado interno. No mercado internacional, o preço da commodity perdeu ritmo, influenciado, principalmente, pelas projeções de superávit global”, afirmou.

Os preços e volumes em baixa da indústria de etanol levaram ao recuo no faturamento. A pesquisa mostra que uma menor produção de biocombustível aconteceu por conta dos preços mais favoráveis do açúcar, além do aumento no consumo de gasolina em detrimento do etanol hidratado.

O Cepea apontou menores colheitas de atividades agrícolas, como cana-de-açúcar e café, e uma produção menor da indústria de suco de laranja. Além desses segmentos, abate de aves e laticínios também apresentaram recuo. “Enquanto alguns produtos tiveram queda de 60%, a da cana-de-açúcar foi de apenas 4%. Mas, por ser a principal atividade agrícola do Estado, foi o que mais refletiu no resultado”, afirmou Rennó.

Apesar do cenário do suco, a laranja apresentou um aumento na produção, sendo o principal impulso ao faturamento do Estado de São Paulo. O preço registrado foi o maior na avaliação anual, refletindo a maior demanda das indústrias processadoras.

Outros destaques positivos foram: mandioca, ovos, leite e suinocultura. O bom desempenho dessas culturas, no entanto, não foi suficiente para um resultado positivo, por causa das fortes quedas de grandes atividades do setor.

A pesquisadora do Cepea disse que não há dados oficiais para 2018, mas as tendências apontam para um desempenho mais elevado do PIB deste ano e que a agroindústria deve responder positivamente à melhora da economia.

Fonte.: DCI

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